A fascinação provocada pela linguagem caleidoscópica da obra A noite escura, de San Juan de La Cruz, traduzida aqui, é de um potencial criativo inesgotável.
A seguir, compartilho alguns outros resultados gerados a partir dessa série de exercícios em torno do poeta, mais especificamente das estrofes finais desse poema.
A começar pelo original:
El aire de la almena,
cuando yo sus cabellos esparcía,
con su mano serena
en mi cuello hería,
y todos mis sentidos suspendía.
Quedéme y olvidéme,
el rostro recliné sobre el amado,
cesó todo, y dejéme,
dejando mi cuidado
entre las azucenas olvidado.
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O vento da janela,
enquanto seus cabelos revolvia,
com sua mão serena
em meu colo batia,
e tanto meus sentidos suspendia
que dei-me-olvidei.
O rosto reclinado sobre o Amado,
cessou tudo e gozei,
gozando de meu fado,
em meio às açucenas olvidado.
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Deixei tudo passar,
o rosto reclinado sobre o Amado,
tudo cessou, pesar
nenhum pesou no fado
daquela noite escura do passado.
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Entreguei me olvidei,
reclinei a cabeça sobre o Amado,
cessou tudo e aguardei
meu destino guardado
nas escadas que levam ao sagrado.
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Entreguei-me e olvidei,
o rosto reclinado sobre o Amado,
foi-se tudo, e entornei
em torno meu cuidado
em meio às açucenas, olvidado.
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Esqueci-me de tudo,
o rosto reclinado sobre o Amado,
fiquei, coração mudo,
mudou o fado, fadado
à sua própria sombra, sepultado.
